Em um país com grandes desigualdades, onde as oportunidades são disparadamente diferentes, não é incomum a indignação frente a esse cenário. Mas como a sociedade brasileira foi estruturada sobre essas diferenças desde a sua origem, mudá-la envolve dedicação e comprometimento de muitos.

Mudanças de paradigmas são grandes trabalhos. E grandes trabalhos são realizados através de conjunto de pequenas ações, que somadas e unidas, formam uma grande estrutura que trabalha em prol da mudança e do apoio a quem precisa de meios para se erguer.

 

A importância do seu envolvimento

A ação individual de cada um, por menor que possa parecer, é essencial para o funcionamento de instituições que trabalham em prol do desenvolvimento social.

Como qualquer empresa e entidade, uma ONG ou instituição sem fins lucrativos tem necessidades que precisam ser atendidas. Elas vão desde os trabalhos de limpeza, do atendimento ao público, trabalhos de comunicação interna e externa, recursos humanos, até a coordenação de grandes projetos e sua administração.

São pequenas e grandes ações, que juntas dão grandes passos. Para que funcione, é necessária equipe disposta a doar seu tempo.

O retorno vem das mudanças que acontecem, aos poucos, na estrutura da sociedade. Do mesmo modo que a desigualdade deixa ecos que afetam a todos, a sua reestruturação também gera consequências (positivas) para o bem-estar comum, o que afeta a realidade também daqueles que estão envolvidos com ativismo e atividades voluntárias.

Apesar das grandes demandas da sociedade brasileira por ações que promovam mudança, e da necessidade de união e cooperação para que elas aconteçam, o número de brasileiros que se dedicam a atividades voluntárias ainda é pequeno.

Segundo a pesquisa Opinião do Brasileiro sobre o Voluntariado, realizada pela Fundação Itaú Social em parceria com o Datafolha, no ano de 2014 apenas 11% dos brasileiros participavam ativamente de trabalho voluntario. De acordo com a pesquisa, apenas 28% dos entrevistados disseram já ter participado alguma vez de atividades de voluntariado.

 

Brasil: um país com grandes demandas

Quase 30% da renda do país está nas mãos de apenas 1% dos brasileiros. A informação é do banco de dados da Pesquisa Desigualdade Mundial 2018, que mostra a evolução da desigualdade de renda no mundo. Outra pesquisa sobre mobilidade social, elaborada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostrou que os 10% mais pobres podem levar até nove gerações para chegar à de renda média do país. 

Essas diferenças de renda refletem em muitos outros aspectos, e geram efeito dominó. Elas acarreta outras formas de desigualdade que, cada vez mais, colaboram para fortalecer esse sistema. Podem ser percebidas também em áreas como educação, saúde, segurança e muitas outras.

Na educação, por exemplo, a desigualdade se mostra na diferença do acesso a ensino de qualidade e menores oportunidades. 

O Anuário Brasileiro da Educação Básica, criado pelo movimento Todos pela Educação, reúne dados sobre o ensino no Brasil. O relatório trouxe diferenças significativas em relação aos anos de estudo entre 25% mais ricos da população e os 25% mais pobres.  O primeiro grupo estuda em média 12,5 anos. Já os mais pobres tem uma média de 8,5 anos.  A diferença é de quatro anos de escolaridade. 

Esses indicadores tem influência na vida prática e se traduzem não apenas em desvantagens no alcance de metas profissionais, mais também em qualidade de vida, igualdade salarial, representatividade e cidadania.

Trabalhar em prol dessa transformação é o caminho para o desenvolvimento.


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